Uma vez disseste-me que não havias mudado, que mantinhas o mesmo rumo de outrora. Eu desculpo-te por teres envergado por outros rumos. Perdoo o vento que te soprou para longe do que fui e até o chão que te arrastou para um caminho não meu. Tudo isso eu perdoo para finalmente conseguir fazer-te cair do pedestal em que te encontras.
Uma vez disse-te que havias mudado, que o teu rumo havia sido alterado. E não me perdoaste. Agiste de forma a que a nossa colisão não se desse e viste-me partir ao som das tuas palavras doces de mais. Foi assim que caíste do teu pedestal, fazendo-me ver que tudo o que foste decompôs no chão que já não piso. E foi assim que ao inalar as tuas cinzas decrépitas eu senti o cheiro da mudança. Não tua, mas minha. A troca de lugares.
Agora eu sei que não mudaste e que o teu rumo já estava traçado para que te fosse mais fácil encontrares o teu destino, sei que as tuas palavras iludem apenas quem deseja ser iludido e a tua eternidade existe de facto em ti até que termine, enquanto dura. Foi assim que uma vez dissemos muito, e tudo isso o vento soprou para junto de ti. A mudança? Por vezes esse vento traz-te de volta ao pedestal e quando o vejo em riscos de queda eu já não salto para impedir que te partas em infinitos pedaços cortantes. Deixo-te cair e o único motivo para tristeza é a indiferença que ainda não existe perante o chão sujo que terei de limpar.
M.S.
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