Todos os dias eu encontro-te no meu pensamento. Fugindo-me por entre as memórias para que não te consiga alcançar. Roubando detalhes que não quero perder juntamente contigo. Banindo imagens novas que ameaçam o teu lugar insubstituível. E por tudo isso eu odeio-te. É uma verdade, e ainda mais o é de tão mentira ser, mas odeio-te de realidade. Muitas vezes de cada vez.
Todos os dias expulsas o que tenta brilhar para me afogar na tua escuridão, engolindo-me em sons, e em cheiros, e em músicas, e em imagens, e em tudo o resto que tão insignificantemente me marcou com infinitas cicatrizes minúsculas que me atingem diariamente. E assim eu odeio-te porque me fazes sofrer, mesmo que não queiras, mesmo que nem o repares. E acima de tudo odeio-te. Porquê? Porque não te consigo odiar, nem mesmo quando pisas o sangue que escorre de mim e sorris por ver-me no chão aos teus pés.
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