sexta-feira, 10 de abril de 2009

diferenças

Não quis inventar mais palavras, ou até acusações que te quisessem ferir. Da minha parte não havia mais nada que fosse teu, excepto eu. Os meus poros sufocam de cada vez que me imagino perto de ti, como se te tratasses de um oceano infinito com uma película inquebrável que me impedia de o abandonar. E mesmo com tanta vontade de respirar eu não te acusei de mais nada, não atirei palavras porque sabia que iriam voltar para mim, como um ricochete que me iria ferir por demais. Aguentei este inferno a que me habituei a chamar de alma, e entreguei-o bem quente para as tuas mãos que impressionantemente me queimaram de tão gelado que me tornaste.

Não ousei olhar para ti porque já conhecia o ardor que me causaria. Não permiti a mim mesmo escutar a tua voz ou sentir o teu odor. Não deixei que eu me tornasse no que sempre fui junto a ti. Deixei-te ao meu canto, tirando-te o ar que usas para respirar para que eu pudesse sobreviver. E foste tu quem não sobreviveu, mas continuo a ser eu que vivo morrendo por ti.

Então que diferença faz se me encontro no fundo do teu oceano, no buraco que cavei contigo para que me enterrasses, ou no imenso oxigénio da tua ausência?

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