domingo, 5 de abril de 2009

casadecampo

Dói estar nesta casa, navegando nas memórias mortas de ti. Custa olhar para a mesa da sala e ainda ouvir o barulho de cada vez que batias nela sem intenção. Também custa estar sentado no sofá e a televisão ligar-se automaticamente num programa agora inexistente que já vi contigo. Custa inteiramente um infinito de pequenos pormenores. Detalhes espalhados ao acaso que alguém (tu) muito conveniente se esqueceu de levar consigo. Mas o que custa verdadeiramente é ter que percorrer cada centímetro desta casa e ver-te em todos eles, como o oxigénio expandido sobre tudo o que existe.

Não quero estar aqui ofuscado em cada segundo que é teu na história desta casa, não sou capaz de viver numa casa que ainda hoje é mais tua que minha.

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