Foram precisas multidões de pessoas sem te encontrar. Foram precisas palavras terem sido desperdiçadas vezes sem conta. Foi preciso tanto para conseguir mostrar a mim mesmo que não irei conseguir salvar-te de ti, não irei conseguir abrir as portas em que te trancaste, e libertar-te das teias que espalhaste sobre nós.
Continuarei perdendo-te por entre as multidões. E as multidões levarão também de mim a dor. Não conseguirei encontrar-te mais e consequentemente a dor aparecerá tantas vezes como tu: quase nula. Mas não importa mais, sabes? Encontrarei sempre o sorriso rasgado que transbordas de cada vez que me encontras, e perguntar-me-ei se alguma vez te consegui entender.
Irei escutar outra e outra vez o teu silêncio em busca de respostas, e ele irá mostrar-te o que já sei. E é por ele que continuarei perdendo-te por entre as multidões. Perdendo-te para não te encontrar mais, com o sorriso que só demonstra a tua tentativa falhada, a tua vitória sobre o nosso tempo, o teu fracasso sobre ti mesmo.
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