sábado, 31 de janeiro de 2009

III


Não queria ter acordado assim. Após uma longa e dolorosa noite, o sol chegou cedo de mais para mim. Lá fora ouvi música e vozes de pessoas já há muito conhecidos e mesmo assim, permaneci imóvel com a luz da televisão distraindo-me. Uma das vozes chamou para o almoço e vi-te então. Ias-nos fazer companhia e por alguma razão que ainda não compreendo bem, desejei que não o fizesses, apesar de tudo.

Sentei-me com a nova dificuldade e sentaste-te ao meu lado, e posso-te dizer com toda a franqueza que foi a refeição mais dolorosa que tive até hoje. Tremias e tremias, e quando tentei não reparar, tiveste que responder que o sistema nervoso estava alterado e enumeraste a quantidade de comprimidos que tinhas tomado pela tua saúde.

Comi o mais depressa possível ignorando a dor física e saí da mesa. Que dor, ver o que te tornaste sem culpa ou sem o mereceres. Que dor, não conseguir olhar para ti sem prever o que se avizinha. Que dor, de começo.

Um comentário:

Catarinaa disse...

Tenho uma lágrima no canto do olho.

Beijinho Manel *