(queria escrever-te sobre como estava a noite naquela noite, pode ser?)
O calor que se fazia sentir e o
quão vibrante a multidão me acolhia ao colo; as conversas triviais, rodeadas de
músicas alta, enquanto a luz acariciava deliciosamente a transpiração que se
fazia sentir, o odor característico de uma noite tão comum como tantas outras
que já vi.
E então, tudo parou.
Sem notar, notei em ti.
Pequenos segundos em que nada
mais havia. Os teus olhos nos meus – como tantas outras vezes antes –
demorados, pousados em mim. E um sorriso. Um triste sorriso nos lábios.
E, antes que tudo voltasse ao normal, naquele momento, naquele momento em que mais nada houve, o tempo não voltou mais. Ficou perdido em tudo o que vivemos juntos sem saber que o amanhã não seria nosso. Esquecido em nós, até àquele momento. Numa nostalgia tão doce, tão dolorosamente aguçada, desenhada naquele teu sorriso. Nada mais havia a dizer.
Devolvi-te o sorriso. Igual ao
teu, igual a nós. Naquele momento, soube que fomos para sempre. Mesmo que já
não fossemos. “Já me tinha esquecido como é isso”, pensei. “Sentir o nosso
“para sempre”.”. Aqueceu-me o peito, aquela sensação, como que um regressar a
casa. Uma casa que já não era minha.
Mas, pelo meio, o momento passou,
tudo voltou – o calor, as conversas, a luz, o cheiro – e cada um seguiu o seu
caminho como se nada fosse. São tantas as vezes em que dois desconhecidos
partilharam uma vida. Estranhos, mesmo que nunca o sejam na verdade.
Ainda te lembras? Conquistámos
tanto…mas perdemos da mesma forma, não foi?
Nunca dois gigantes caíram de tão
alto.
Quão memorável foi a nossa queda.
Caindo e caindo.
Até ali, até hoje.
Tu e eu.