terça-feira, 7 de novembro de 2023

midnights

(queria escrever-te sobre como estava a noite naquela noite, pode ser?)

O calor que se fazia sentir e o quão vibrante a multidão me acolhia ao colo; as conversas triviais, rodeadas de músicas alta, enquanto a luz acariciava deliciosamente a transpiração que se fazia sentir, o odor característico de uma noite tão comum como tantas outras que já vi.

E então, tudo parou.

Sem notar, notei em ti.

Pequenos segundos em que nada mais havia. Os teus olhos nos meus – como tantas outras vezes antes – demorados, pousados em mim. E um sorriso. Um triste sorriso nos lábios.

E, antes que tudo voltasse ao normal, naquele momento, naquele momento em que mais nada houve, o tempo não voltou mais. Ficou perdido em tudo o que vivemos juntos sem saber que o amanhã não seria nosso. Esquecido em nós, até àquele momento. Numa nostalgia tão doce, tão dolorosamente aguçada, desenhada naquele teu sorriso. Nada mais havia a dizer.

Devolvi-te o sorriso. Igual ao teu, igual a nós. Naquele momento, soube que fomos para sempre. Mesmo que já não fossemos. “Já me tinha esquecido como é isso”, pensei. “Sentir o nosso “para sempre”.”. Aqueceu-me o peito, aquela sensação, como que um regressar a casa. Uma casa que já não era minha.

Mas, pelo meio, o momento passou, tudo voltou – o calor, as conversas, a luz, o cheiro – e cada um seguiu o seu caminho como se nada fosse. São tantas as vezes em que dois desconhecidos partilharam uma vida. Estranhos, mesmo que nunca o sejam na verdade.

Ainda te lembras? Conquistámos tanto…mas perdemos da mesma forma, não foi?

Nunca dois gigantes caíram de tão alto.

Quão memorável foi a nossa queda.

Caindo e caindo.

Até ali, até hoje.

Tu e eu.