quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

before/after


Fizemos tantos planos. Sonhámos sobre ir aqui e ali, durante um fim-de-semana ou talvez num final da tarde. Disseste-me onde querias ir e eu prontifiquei-me a ir contigo. Não me importava onde, só me interessava estar contigo. Eu e tu. Mas, afinal, os nossos planos não eram nossos. Eram teus. Teus para partilhar com quem quisesses. Só precisavas de companhia – não de mim. E sabes o pior? Tu disseste-me. Tu nunca mo escondeste. Disseste-me que querias ir. Nunca me equacionaste.
Continuo a fazer isto a mim mesmo. Desde que te conheço. Meto todos os meus planos de parte porque, na realidade, já os faço moldados a ti. Pergunto-te primeiro, és sempre prioridade. Mesmo depois de me teres dito que não precisas de mim – mesmo depois disso. E a culpa é minha.
Tudo o que dizes sobre mim é verdade. Sou fraco. Sou-o porque te permito fazer-me isto. Não o mereço. Devia querer mais que tu. Devia querer mais do que me dás. Mas não consigo. Sou fraco. Sou muito fraco.
Mereço melhor que isto, não mereço? Talvez não.  


27/08/2019