Mandei-te mensagem. Há dois dias
atrás, isto é. E o teu silêncio é gritante. A situação nunca se inverte, claro.
Tu segues o teu caminho e eu não opino – mesmo quando dói. Mas, volta-e-meia, revivemos este
déjà vu.
Desapareces. E estando ou não, és caos. Ausentas, da minha falsa-paz,
toda a felicidade que simulo. Esgravatas até ao meu âmago, rasgando tudo pela
passagem, e fazes-me acreditar que a culpa é minha. E é, acredita que é.
Pode ser que, um dia, consigas
perceber que não sou teu. E que, embora o culpado seja eu, que permito que
intoxiques tudo em meu redor, entendas estas palavras: é tarde demais.
Não tenho mais para te dar. Sempre
foste tu, sempre, mas entreguei-te tanto que me esqueci de mim. Por isso, deixo-te
neste lugar em que te deixo. Onde vais ficar até que precises de mim, novamente,
e onde eu estarei, sempre, mas não da mesma forma.
Mereço melhor que isto, melhor
que tu.
Vou ter saudades tuas.