É-me difícil admitir isto. Como um
comprimido difícil de engolir. Evito e evito mas acabo por cair nesta
realidade: nada em ti me cativa – nada. A casca em que te tornaste, o teu corpo
escanzelado, as tuas feições acentuadas e proporções desadequadas, a carência e
falta de amor-próprio, a tristeza evidente que tentas mascarar, etc.
Pouco há para gostar em ti. Medíocre,
incoerente, hesitante e ansioso. Poucos te conseguem ver como eu o faço. Poucos,
porque poucos têm a paciência necessária para suportar os teus melodramas
adolescentes.
Existes com o medo de ficar
sozinho porque és demasiado sensível para deixar que alguém se aproxime de ti.
Colocas-te nestas situações labirínticas e esperas que alguém as resolva por
ti. Não enfrentas as coisa. És um imenso desperdício de espaço.
E é-me difícil admitir isto. Como
um comprimido difícil de engolir. Evito e evito mas acabo por cair nesta
realidade: olhar ao espelho é incrivelmente difícil quando não se gosta do que se vê.