quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

eu


É-me difícil admitir isto. Como um comprimido difícil de engolir. Evito e evito mas acabo por cair nesta realidade: nada em ti me cativa – nada. A casca em que te tornaste, o teu corpo escanzelado, as tuas feições acentuadas e proporções desadequadas, a carência e falta de amor-próprio, a tristeza evidente que tentas mascarar, etc.
Pouco há para gostar em ti. Medíocre, incoerente, hesitante e ansioso. Poucos te conseguem ver como eu o faço. Poucos, porque poucos têm a paciência necessária para suportar os teus melodramas adolescentes.
Existes com o medo de ficar sozinho porque és demasiado sensível para deixar que alguém se aproxime de ti. Colocas-te nestas situações labirínticas e esperas que alguém as resolva por ti. Não enfrentas as coisa. És um imenso desperdício de espaço. 
E é-me difícil admitir isto. Como um comprimido difícil de engolir. Evito e evito mas acabo por cair nesta realidade: olhar ao espelho é incrivelmente difícil quando não se gosta do que se vê.