Tentei usar as minhas palavras em
ti mas, tal como tu, elas não são.
Caídas por todo o lado, apanho-as
ao acaso e tento reuni-las, numa esperança vã de que façam sentido – não o
fazem. Tentei, então, gastá-las em outra pessoa. Mas, manchadas e desordenadas,
também fizeram pouco sentido.
Não consigo passar para o papel
os esgarrões do que ficou por dizer. Esta crua tempestade não me deixar dormir,
não me deixa viver. Afogo em sentimentos, presos na garganta, que não permito. Então,
por vezes, quando a vida me dói e não quero admitir que a culpa é minha, finjo
que é tua. E por momentos, quase que fico bem.
Antes de me lembrar que todas as
palavras que escrevo hoje, só o são porque um dia pegaste na minha mão e me
ensinaste a tua caligrafia.
Talvez, daí, as minhas palavras
serem tão vazias…