Os anos foram passando,
castigando cruamente quem teve o privilégio de te ter.
Nada foi o mesmo. Por vezes
melhor, por vezes pior, mas a vida teve um jeito próprio de continuar – mais amarga
e menos cintilante.
Não sei quem tenho sido desde
então.
Pedi-te que olhasses por mim e
pelos meus e perguntei-me, mais que uma vez, se terias orgulho na pessoa em que
me tornei. Contei-te as minhas dores, como se não as tivesses presenciado, e
fiz questão de te visitar sempre que possível. Mas a vida tornou-se dura, avô. E
tu não estás cá.
Estás em mim – no meu sangue, na
minha pele – e, mesmo assim, já não me lembro do timbre da tua voz ou do cheiro
da tua roupa. E isso dói-me demasiado.
O espaço vazio que deixaste,
deixaste por preencher. E em meu redor, tudo se moldou à tua ausência. Ainda
não sei se para pior…
Continua a caminhar a meu lado,
pode ser? Por favor.