sexta-feira, 12 de julho de 2019

inútil


Em retrospectiva, nunca fui muito bom com palavras. Apenas sabia deitá-las, de forma bonita, num papel. Transmitia um sentimento qualquer que sentia, ou não, e isso concretizava-me. Vê-las espalhadas pelas páginas em branco, contornando cada parcela do que eu queria ser, saciava-me uma qualquer sede de intelectualidade que nunca irei possuir.
Mas agora, agora a situação é diferente. Repetidamente as palavras continuam a falhar-me. Se atingi a minha quota-parte, precocemente, não sei dizer. Não sei. Não consigo.
Faltam-me as palavras. Faltam-me os pontos finais.
O que sei, é que já senti isto. Isto, isto que sinto neste momento. Vezes de mais. E consegui, sempre, escapar através dos parágrafos que jogava fora – parágrafos tão descartáveis quanto eu. No entanto, ultimamente não o tenho feito.
Aqui estou eu: descartável, secundário, segunda opção.
Repito estas palavras, na minha cabeça, uma e outra vez. Incapaz de as transmitir, de passa-las para o papel. Não sou capaz. Já não consigo. Até isso perdi…