terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

guess I did it to myself

Vi, ontem, na cara de outra pessoa, o que vi na tua há muito tempo atrás. 
Naquele dia. 
No dia em que te perdi. 
E que tanto doeu. 
Como se estivesse a reviver tudo outra vez. 
Abri, repetidamente, na pele, os golpes que fiz quando o desespero tomou conta de mim. Senti, novamente, a garganta fechar-se e impedir o ar de entrar. Enfraqueci e deixei de ver, afogado em lágrimas que não caíam há inúmeros meses. 
Assusta-me a forma como me vou abaixo, sabes?
E só foram precisas duas frases. Duas. Cada palavra, aglomerada num murro certeiro, que me fez desabar. 
- Cada vez menos te compreendo, disseste. 
- Imagino que seja difícil e lamento, respondi.
Se eu pudesse era diferente. Juro. E eu tento. Tenho tentado a minha vida toda. Já fui tantas versões de mim mesmo que não sei quem ser. Mas continuo a tentar. Por ti, especialmente por ti. Mas quando vejo que te causo desconforto, desmorono. 
Devias compreender-me melhor que ninguém. E já nem tu o consegues. Já nem tu consegues…
Sabes o que vejo? Sabes a que me sabe este déjà vu? O meu futuro. O meu maior medo avançando mais um pouco. Como uma sombra que vai escurecendo tudo em meu redor. É inevitável, eu sei. Mas preferia que, embora sozinho, ficasses comigo.
No entanto, e pelo menos sabendo isto sobre mim, se o que sou afecta negativamente os teus dias, está na hora de partir. Para longe. 
Como fiz há muito tempo atrás. 
Naquele dia. 
No dia em que te perdi.
E vai doer. 
Mas, pelo menos, sei que estás melhor – e só isso me interessa.