Foi de um dia para o outro, não
foi? Todo o potencial, toda a ideia, todo o sonho – no chão. Podíamos ter sido
tanto. Podíamos. Mas não somos mais.
Naquele dia, embora tudo
estivesse igual, algo mudou.
Não quis mais saber do que
sentias. Não quis pôr os teus sentimentos em primeiro lugar. Não quis pensar na
tua reação. E pela primeira vez em um ano, esgotei a paciência que retiravas.
Pedaço a pedaço.
Foi como se tivesses despejado
todos os teus demónios e exigências, em mim. E, sem querer, fizeste com que
deixasse de ver tudo o que me fez gostar de ti em primeiro lugar. Não foi o
esperado. E se fosse como devia ser, estaríamos juntos. Mas tudo o que és,
choca no que sou.
E, quando decidi ditar o fim, atingimos
o final num embate mortífero.
Agora consigo respirar, sabes?
Agora que me levantei, que já não tenho o peso do que és nos meus ombros, consigo
saborear o paladar do oxigénio que me faltou nos últimos tempos. Os dias preenchidos
pelo teu vazio são agora cheios. Cheios mas leves. Como deveriam ser.
Pode parecer inesperado mas, na
verdade, era uma questão de tempo.
Tinhas razão, agora consigo
vê-lo. Só eu não quis ver. Considerei ser medo de cair. Mas a verdade é que
nunca saíste do chão, não foi? Os erros de outro ainda te estão marcados na
pele. Perene numa constante dúvida que destrói o que de bom há na tua vida.
Quero que saibas que lutei. Não
sou fácil ou perfeito mas quis sempre ser melhor por ti. E embora tu penses que
não, lutei. Mas não te consegui curar ou espantar os teus fantasmas. Eu tentei.
Tentei com tudo. Mas no fim, perdi por desistência.
Já passaram duas semanas e o ar
carregado de ti, da tua essência, copiada por aí, provoca-me náuseas. Fiquei a
saber de atitudes tuas que, com deveras tristeza, me deram a razão necessária
para saber que tinha feito o correto.
Desviaste-te de uma bala,
disseram-me. E deste então não te consegui defender mais.