terça-feira, 5 de junho de 2018

how not to fall.


Volta e meia estou aqui.
Neste sítio.
Onde finjo sair, onde finjo levantar-me.
Mas não. Demasiado vulnerável para compreender que a vida se esqueceu de mim neste beco sem saída. Deixou-me aqui. Com todos os meus fantasmas.
Neste sítio.
Onde me custa estar, onde quero ficar.
Que é de mim? A dor é-me inerente. E como não, se é tudo o que tenho?

domingo, 20 de maio de 2018

lovely


Um passo. Outro passo. Dois para trás. Devagar, lento e pesado. Tento chegar a ti. Tento com tudo o que tenho dentro de mim.

Dois, três passos. Outro para trás. Mais um, menos outro – com esforço, chego a ti.

Vale sempre a pena. Só sei respirar quando estou contigo.

E então tudo acaba.

Não há luz, não há ar.

Recuo.  Quatro, cinco. Nenhum passo em frente.

Dói. Dói tanto.

Devagar, lento e pesado. Um passo em frente, quatro para trás. Tento chegar a ti. Tento com tudo o que tenho dentro de mim.

Só sei respirar quando estou contigo. Só sei respirar quando estou contigo…

quinta-feira, 17 de maio de 2018

nemsei


Como me custa este espaço que nos preenche. Que nos empurra.
Tu aguentas-te em pé. Eu caio em segredo. Faço-me de forte e digo-me levantado. Minto. Minto-te. Por nós. Como te posso dizer? Como?
Dóis-me menos quando não estou contigo.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

hurtme

Não são poucas as vezes em que, na escuridão do meu quarto, de barriga para cima e olhos abertos para o nada, me questiono sobre a origem de tamanha tristeza que ruge dentro de mim.
Enquanto o sono foge, ouço o ponteiro do relógio que está pendurado na parede e conto as horas que perco em vão. 
Não me lembro de como cheguei aqui.
Acho que sempre fui assim, melancólico. Tentando tocar numa qualquer ferida que eu mesmo criei. Coberto de cicatrizes só para mostrar aos outros que não sei sentir. E para quê? Não consigo compreender. Porque razão faço isto a mim mesmo? ...

sexta-feira, 6 de abril de 2018

u've ruined me.


Não sei onde te encontrar no meio de toda esta gente. A minha mão está entre as tuas pernas mas nem reparo que estás ao meu lado. A multidão fala alto. Nós não. Trocamos o ocasional beijo e comunicamos através de olhares. Agarrada ao meu braço, tocas-me na pele como se não a conhecesses.

Esta minha pele que já foi de tanta gente e nunca minha. 
Ali, os dois, no meio de todos os olhares alheios e palavras jogadas fora, somos uma frase parada a meio…

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Falamos todos os dias. Palavras mudas de quem não tem mais nada para dizer
Passou tanto tempo. 
Acreditei que desta vez fosse diferente mas o tempo ainda não se cansou de me ensinar. E no fim, foste uma cópia de uma cópia.
Esqueci-te.

sábado, 27 de janeiro de 2018

27. (thetalesofalwaysandnever)



Ainda guardo aquela moldura. Escondida na prateleira do meu quarto, dentro de uma caixa coberta de pó. Pus cadeados fictícios em seu redor e proibi-me de a abrir. Muitas vezes esqueço-me dela. Da caixa, da moldura. De tudo o que ficou capturado na fotografia que lá envelhece. As pessoas permanecem as mesmas mas o tempo parou por ali.
E sabes o que me mete medo?
Não é a dor que aquela fotografia possa causar, não – é o facto de acreditar que nunca mais conseguirei igualar tamanha felicidade.