Ainda
guardo aquela moldura. Escondida na prateleira do meu quarto, dentro de uma
caixa coberta de pó. Pus cadeados fictícios em seu redor e proibi-me de a
abrir. Muitas vezes esqueço-me dela. Da caixa, da moldura. De tudo o que ficou
capturado na fotografia que lá envelhece. As pessoas permanecem as mesmas mas o
tempo parou por ali.
E
sabes o que me mete medo?
Não
é a dor que aquela fotografia possa causar, não – é o facto de acreditar que nunca
mais conseguirei igualar tamanha felicidade.