Cada
vez tenho menos para te dizer. Consigo não te sentir de todo e não sentir
absolutamente nada por isso. Mas tu és a minha maior dor.
Ainda
não sei para quem escrevo, sinceramente.
Não
sei se estás aí. Nem sei se me acompanhas nas caminhadas, nas quedas, nas
palavras que te digo. Mas gosto de acreditar que sim. Gosto de pensar que tudo
o que acontece de positivo na minha vida tem o teu dedo. Imagino muitas vezes o
teu sorriso – aquele que já não consigo recordar – nas minhas conquistas
pessoais. Vejo-me a dar-te uma boa nova qualquer e quase que te ouço a dar-me
os parabéns.
Falo
muitas vezes contigo independentemente de me ouvires ou não. E visito-te de
igual forma, quer saibas ou não.
Peço-te
sempre para que olhes pela Mariana e lhe dês a força que ela precisa para
vencer na vida. Conto-te sobre o Tom e o quanto irias gostar dele. Falo-te
sobre os meus pais e o quanto eles me destroem constantemente. Deixo-me desabar
junto a ti. E falo-te das saudades que tenho tuas.
Consigo
sempre ver-te, num sofá qualquer, com a Musa ao teu lado, ouvindo-me e sorrindo
por me ter lembrado de ti. A verdade é que nunca me esqueço.
Hoje
vejo que a minha felicidade é muito como a tua foi – inconstante. Oscilavas
entre um desinteresse abundante ou um êxtase indescritível. Nunca sentias a
meio termo. Como eu, tudo ou nada. E os dias em que não sinto são sempre
esmagados pelos outros. A dor é tanta que me impede de respirar – mesmo que eu
não o demonstre.
Espero
que me ouças.
Por
mais distante que tenhas sido, por mais distante que hoje estejas.