Sempre te confiei tudo de mim –
desde trivialidades do dia-a-dia aos meus medos mais profundos. Tudo. Sem tabus
ou omissões. Mas foi sem grandes surpresas que perdi e hoje vejo-me calado. Desculpei-te.
Fizeste-me acreditar que a transparência não tinha de ser necessariamente
mútua. Mostraste-me uma confiança unilateral e eu aceitei-a como algo normal.
Eu
desculpei. Eu acreditei. Eu aceitei. Mas isso não é confiar.
“Tens
de aceitar que há coisas que escolho não te contar.”, Dizias-me tu. A mesma
pessoa que mais tarde me punia por não querer contar uma qualquer situação. “Depois
dizes que me contas tudo. Assim se vê.” Dizias-me tu. A mesma pessoa que apenas
partilhava informação pré-selecionada.
E
hoje estamos aqui.
Não sei mais confiar em ti ou tenho a necessidade
de te contar eventos significativos da minha vida. Foi este o resultado da tua
falta de confiança. Senti-me no direito dos teus segredos. Entreguei-te os
meus. Mas tu não entregaste nada.
“Não
tenho de te contar tudo. Há coisas que não gosto de admitir nem a mim.”.
“Não te conto tudo? Ok. Então diz lá
algo que não te tenha contado?!”…
Irónico,
não achas? Por vezes acredito que dessa boca nunca sairá a verdade e questiono
como pude confiar tanto em ti.
Foram
muitas as vezes que duvidei do que éramos. Eras a pessoa em quem eu mais confiava. As
tuas palavras chegaram a guiar a minha vida. Mas hoje? As palavras que não me
contas deixaram de ter importância.