segunda-feira, 17 de julho de 2017

family feud



Sempre te confiei tudo de mim – desde trivialidades do dia-a-dia aos meus medos mais profundos. Tudo. Sem tabus ou omissões. Mas foi sem grandes surpresas que perdi e hoje vejo-me calado. Desculpei-te. Fizeste-me acreditar que a transparência não tinha de ser necessariamente mútua. Mostraste-me uma confiança unilateral e eu aceitei-a como algo normal.

Eu desculpei. Eu acreditei. Eu aceitei. Mas isso não é confiar.

Tens de aceitar que há coisas que escolho não te contar.”, Dizias-me tu. A mesma pessoa que mais tarde me punia por não querer contar uma qualquer situação. “Depois dizes que me contas tudo. Assim se vê.” Dizias-me tu. A mesma pessoa que apenas partilhava informação pré-selecionada.

E hoje estamos aqui.

Não sei mais confiar em ti ou tenho a necessidade de te contar eventos significativos da minha vida. Foi este o resultado da tua falta de confiança. Senti-me no direito dos teus segredos. Entreguei-te os meus. Mas tu não entregaste nada.

Não tenho de te contar tudo. Há coisas que não gosto de admitir nem a mim.”.
“Não te conto tudo? Ok. Então diz lá algo que não te tenha contado?!”…

Irónico, não achas? Por vezes acredito que dessa boca nunca sairá a verdade e questiono como pude confiar tanto em ti.

Foram muitas as vezes que duvidei do que éramos. Eras a pessoa em quem eu mais confiava. As tuas palavras chegaram a guiar a minha vida. Mas hoje? As palavras que não me contas deixaram de ter importância.