quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

p+w



Há sempre receio de cada vez que exponho estas palavras. Ao tentar colocá-las em ordem, a primeira frase que me surge é ”vai com calma.”. Imagino-as sempre como um golpe recém-nascido. Mas não é realidade. Tudo isto já aconteceu há muitos anos. Demasiados. A ferida é velha e o tempo passou.
A tua partida foi a coisa mais difícil que me aconteceu. Marcou a minha vida de tal forma que passados 9 anos ainda não a consegui descrever. No entanto, hoje consigo encará-la da forma que merece – paz.
Foste a maior aventura da minha vida. Ensinaste-me a maior parte do que sei. E hoje vivo rodeado de ti. Revejo-nos em sítios que estivemos quando ainda nem sabíamos o quão dura a vida seria. Éramos crianças e tão desleixados com a preciosidade do que nos ligava. Não compreendíamos que um dia tudo nos seria tirado. E foi.
Senti demasiado o chão em que caí quando morreste.
Tranquei-te em palavras e cortei nas emoções. Deixei a pessoa fria que habita em mim comandar durante uns tempos. Faltava-me a sensatez necessária para compreender que só me iria prejudicar.
Os anos seguintes ensinaram-me isso.
Não há uma dor absoluta, uma dor única. Tudo dói o tempo todo. Mas cada vez menos. O corpo humano acaba por reconhecer e encarar a dor como uma infeção com cura. Tudo passa. Ainda não entendi bem como, confesso, mas tento sempre. Imagino-te nas minhas atitudes e a tua coragem vibra dentro da minha pele. Consigo tudo.
Agora sinto serenidade quando penso em ti. Mesmo quando te sinto na brisa enquanto atravesso uma rua qualquer e o sol se põe algures. Ainda me tira o fôlego, de vez em vez, mas é esse o preço de ter partilhado uma vida contigo.
Obrigado pelo privilégio que foi – que foste. Obrigado.