Estive
muito tempo perdido naquela cidade. De noite todas as ruas me pareciam a tua e
a calçada já gasta levava-me sempre a ti.
Ainda
sinto que lá estou.
Procurando
por ti, repetindo atalhos, caminhando sem rumo. Demasiado preocupado com o percurso
para ver que estou completamente perdido. Estava longe antes e estou longe
agora. Apenas a minha sombra me acompanha, circulando-me como se eu fosse um relógio.
Mas, sem saber como, o tempo não parece passar – retrocede. Os anos dançam em
meu redor mas eu continuo estagnado. Repito os erros que cometi como um miúdo desmiolado
e volto a convidar quem me deixou ao relento.
Não
sei das chaves de casa. Está sempre frio. Talvez o outono tenha chegado sem aviso.
Talvez seja apenas eu. Ou talvez sejas tu.
De
mãos nos bolsos não sei para onde vou mas quero que lá estejas. E não devia ser
assim.