sábado, 1 de outubro de 2016

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Estive muito tempo perdido naquela cidade. De noite todas as ruas me pareciam a tua e a calçada já gasta levava-me sempre a ti.
Ainda sinto que lá estou.
Procurando por ti, repetindo atalhos, caminhando sem rumo. Demasiado preocupado com o percurso para ver que estou completamente perdido. Estava longe antes e estou longe agora. Apenas a minha sombra me acompanha, circulando-me como se eu fosse um relógio. Mas, sem saber como, o tempo não parece passar – retrocede. Os anos dançam em meu redor mas eu continuo estagnado. Repito os erros que cometi como um miúdo desmiolado e volto a convidar quem me deixou ao relento.
Não sei das chaves de casa. Está sempre frio. Talvez o outono tenha chegado sem aviso. Talvez seja apenas eu. Ou talvez sejas tu.
De mãos nos bolsos não sei para onde vou mas quero que lá estejas. E não devia ser assim.