Antes
de me habituar a viver longe de ti passei por um estranho período de luto.
A
negação foi a fase mais constante. Acreditei que não precisava assim tanto de
ti e que a minha vida continuava como a tinha deixado antes de te conhecer.
Ainda cheguei a pensar que estaria melhor desta forma e que tudo ficaria bem.
Mas isto ia e vinha, como ondas. Ondas que te representavam de uma forma
invulgar.
Quando
a negação terminou, surgiu a dúvida – e esta foi a parte mais excruciante de
todas. Não sabia se realmente sentias a minha falta e cheguei a acreditar que o
“meu” lugar seria substituído sem pensar duas vezes (pensamento este que de vez
em vez ainda insiste em bater à porta).
Eventualmente
aceitei esta distância que existe entre nós. Não lhe dei as boas vindas. Não a
recebi de sorriso nos lábios. Mas aprendi que temos de ceder ao destino e às
voltas que a vida dá.
As
ondas ainda surgem. Por vezes sinto tanto a tua falta que chega a doer. Outras
vezes é só a impressão de falta, como se nos tivéssemos esquecido de algo em
casa. Mas custa sempre. A toda a hora. És a pessoa que me faz mais falta…
E
afinal parece que não estou assim tão habituado a esta distância...