Estou
no chão. Não sei como vim aqui parar. Está tudo tão silencioso e escuro. Dói. Não
sei porquê mas dói. Cá dentro, no vazio do que sou, dói. Não consigo ignorar. Tento
levantar-me mas ninguém me ajuda – não há ninguém para ajudar. Em meu redor
ouço passos que me evitam à vista de tamanha ruína. Como cheguei aqui; de onde
caí? Sinto que este sempre foi o meu lugar. Por vezes, quando os passos não se afastam
e eu os deixo aproximar, penso que estes darão lugar a uma mão amiga que me vai
ajudar a levantar. Mas não. Quando chegam perto, queimam-se. E, como mecanismo
de defesa, pontapeiam-me. Eu fico sem ar e controlo o grito. A agonia quer escapar-me
pelos olhos mas não o permito. Ouço o eco dos passos já distantes, fugindo do que
sou – se é que chego a ser alguém. Como vim aqui parar? Só conheço esta
escuridão, este silêncio, este eu. Alguém
me vai ajudar?