domingo, 10 de abril de 2016

hoje e sempre.



Lembro-me de te ir visitar ao hospital assim que nasceste. Pelo meio de felicitações e congratulações, perguntaram-me se te queria segurar. Eu tive medo. Eras tão pequena e inofensiva. Não me sentia preparado para agarrar aquela pequena vida, tão nova e preciosa, com as minhas mãos. No entanto, engoli o meu medo e segurei-te – até ao dia de hoje.
Ainda tenho esse medo, sabes? Quando sei que algo te aflige, o mundo para. Se a vida se vira contra ti, eu quero lutar contra ela. As minhas palavras são incapazes disso, bem sei, mas também sei que sabes que faria tudo por ti – tudo me é indiferente menos tu. E sempre que as coisas ficam más de novo, eu regresso  àquele momento no hospital. Continuas a ser aquele pequeno rebento, tão mágico, livre das partidas e das cicatrizes do destino. Abrindo os olhos e vendo-me pela primeira vez. E eu ainda te seguro. Hoje e sempre.