Lembro-me
de te ir visitar ao hospital assim que nasceste. Pelo meio de felicitações e congratulações,
perguntaram-me se te queria segurar. Eu tive medo. Eras tão pequena e
inofensiva. Não me sentia preparado para agarrar aquela pequena vida, tão nova
e preciosa, com as minhas mãos. No entanto, engoli o meu medo e segurei-te –
até ao dia de hoje.
Ainda
tenho esse medo, sabes? Quando sei que algo te aflige, o mundo para. Se a vida
se vira contra ti, eu quero lutar contra ela. As minhas palavras são incapazes
disso, bem sei, mas também sei que sabes que faria tudo por ti – tudo me é
indiferente menos tu. E
sempre que as coisas ficam más de novo, eu regresso àquele momento no hospital. Continuas a ser aquele pequeno rebento, tão mágico,
livre das partidas e das cicatrizes do destino. Abrindo os olhos e vendo-me
pela primeira vez. E eu ainda te seguro. Hoje e sempre.