Já
estive aqui a escrever sobre isto, uma e outra vez – sou um fantasma. Como uma
sombra, eu sou sem que alguém me alcance. E só quero estar, existir. A minha
boca sedenta de qualquer contacto atira palavras ao chão só para que estas sejam
pisadas. Com a dor eu sinto. Sinto-a sempre sozinho, vendo a vida de outras
pessoas se desenrolar, enquanto me atingem com a sua felicidade. Eu tento
chegar a ela. Tento e falho, claro. As minhas tentativas são sempre fracassos
esfregados na cara. Não quero estar sozinho mas só conheço isto. É familiar, aconchegante.
Quando me jogo, caio sempre. Não há ninguém para me abraçar. Todos me abandonam
porque, na verdade, nada há para abrigar. Não os posso culpar. Quem poderia
querer albergar meia alma?