Hoje
não és mais uma prioridade.
E
eu nunca pensei escrever isto, sabes? Mas um dia acordei e tinha-me habituado à
tua ausência. Eu tento, acredita, tento voltar atrás e fazer-te ser o que já foste.
Mas a vida continua, não é? E para onde fomos? Não sei de ti. Não sei com quem
estás ou por quem me substituis diariamente.
Parece-me
sempre que não te importas. Dou por mim a arranjar desculpas para falar contigo
e acabo sempre por ter pena de mim mesmo. Consegues lembrar-te do que éramos? Do
que já fomos? Sempre que olho para trás
arrependo-me. Eu tento e tento. Embora não possa dizer que somos estranhos, custa-me
ver que chegámos a isto.
Importas-te? A mim dói-me. Não sei o que fazer
nem o que ser. Os dias vão continuando. O teu desinteresse vai-se mantendo. O meu
esforço prossegue em vão. E o nosso compasso demorado segue em trajetórias diferentes.
Será
tarde para voltar? Não consigo sem ti. Queima, rasga.
Eras
tu. Eu não precisava de mais nada ou ninguém. O meu abraço tinha a tua forma. E agora?