O
sol está a pôr-se. A sala vai ficando mais escura e as vozes ecoam nos meus
ouvidos. Sinto-me sozinho. Perguntam-me se está tudo bem e minto sem disfarçar.
Não me apetece fingir. Nada está bem. Sou uma sombra – impossível de alcançar. A
cabeça lateja e os olhos pesam. Ontem não dormi e hoje não consigo dormir. As horas
passam por mim sem surpresa e tudo é a mesma solidão vagarosa. Todos me trocam.
Estou sozinho e não sei onde. Fico-me sentado sem conseguir mexer-me e vejo vida
sorrir para todos que não eu.
Quando
foi que respirar começou a doer?