domingo, 27 de setembro de 2015

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A vida deu muitas voltas e tu não estás mais aqui. Fomos muito, não fomos? Colecionámos músicas e fotografias. Recortámos memórias e colámo-las nas paredes do nosso quarto – respirámos e vivemos.
Mas agora somos cicatrizes que marquei na pele por te ter perdido. Vagueio pelos cantos, fingindo sorrisos e vestindo uma cara amigável. Não restou nada depois de teres ido. Expecto o silêncio. Esmaga-me contra o chão enquanto todos se movem e continuam com as suas vidas.
Eu já devia estar habituado a isto, certo? Já vi vezes de mais a nossa história jogada aos perdidos e achados, sonhada e vivida por outrem, levada e conquistada. Mas nunca comigo, nunca connosco. Então eu vagabundeio por aí e carrego o silêncio que me deixaste. Engulo frases que não posso dizer em voz alta e a doce negação de tudo isto.
São só detalhes, momentos de uma vida a dois. Não é nada. Mas já foi tudo Era isto que querias ouvir?