As
horas passam. Lembro-me de as sentir velozes sob nós. Eram escassas, sempre em
contra-relógio. Nunca eram suficientes no seu egoísmo já característico. Mas agora
teimam em abrandar. Tornaram-se infinitas. São dor, palavras não ditas, frases
não ouvidas, momentos não partilhados e, acima de tudo, distância. São um
abismo que cresce a cada segundo vagaroso que vinca no meu peito. Fazem troça
de mim e do quanto arde não te ter na minha vida. Pensei que iríamos envelhecer
juntos mas estava errado. Parece que a única certeza é mesmo o silêncio que as
horas trazem enquanto não sei de ti.
Até
ao fim do tempo, disseste-me tu. Lembras-te? Afinal parece que ficámos sem
tempo…