As palavras ficam escassas quando
tento escrever sobre isto. Parece que tudo me falha e a realidade cai sobre
mim. Percebo que sinto muito mais do que demonstro e tento ao máximo não
senti-lo. Tudo é melhor que sentir – sentir cada quilómetro que nos separa,
cada gargalhada não dada, cada opinião não trocada ou cada informação não dita.
É-me difícil compreender esta diferença que existe agora.
Lembras-te do quanto partilhámos? (...) Assistimos em
primeira mão às fraquezas de cada um e confidenciámos coisas nunca antes ditas.
E eu sei que ainda o fazemos mas é de diferente forma. (...)
Compara o que antes vivemos com o que acontece agora? …
Por isso, eu evito escrever sobre
isto. A pessoa desligada que és e que deixa de sentir falta dos outros mete-me
medo. Este medo é controlado. Sei o que somos... Mas mesmo assim é uma
espécie de medo. Este medo só surge quando me debruço sobre isto mas faz mossa.
E atrás das paredes que ergo existe sempre o aguçar da distância no meu peito.
Então eu ignoro. Aproveito cada
momento que é nosso. Cada segundo que conseguimos gastar ... mesmo
que exija sacrifícios, e tento não pensar no amanhã. Há coisas que considero
certas (...) E assim vivo o dia-a-dia até que chegue a
hora de nos encontrarmos novamente. É isto.- 24.07