Tudo
me passa ao lado. Acostumei-me de tal forma à dor que já não sei se ela ainda
aqui mora ou se é apenas o seu fantasma. Esta dormência circula-me nas veias. Nada
sei sobre as trajetórias de mim – não sinto vida. E então quando tu voltas,
algo pulsa e repulsa em mim. Subindo pelo meu peito e substituindo-me o ar por
algo que queima como fogo. Se tu soubesses as cicatrizes que fiz por te ter
perdido…