Há
quatro anos atrás perdi-te. Senti na pele
a dor do luto e o seu sabor salgado. Tudo mudou com a tua partida. Os dias
aceleraram e eu fiquei mais frio. E agora, após todo este tempo, consigo ser
mais claro e objetivo. Não sinto mais a necessidade de embelezar as coisas.
Não vejo sentido em enfeitar a nossa relação.
Eras
pouco dado aos teus mas preferias-me a mim. Demonstravas de forma errada mas eu
sabia-o. Eras como são todas as pessoas importantes da minha vida – ausente.
Aparecias só para mostrar que conseguias desaparecer. Deixavas um vazio que ocupava
o teu espaço. Amuavas e permitias que mandassem em ti.
Mas
eu aprendi a gostar de ti assim. Cheio de defeitos e características típicas.
Os teus tiques, gestos e voz. E hoje todos eles me magoam. Ou melhor, a
ausência deles. Já não me lembro do som da tua voz, sabes? E não tenho palavras
que cheguem para te explicar o quanto isso me entristece.
Espero que estejas orgulhoso do que sou e do
que me tornei. E espero que entendas que só queria que aqui estivesses. Tem
sido mais fácil, tem, mas isso não quer dizer que tenha deixado de doer.
Nunca
tive sorte – principalmente com a família – mas tu eras o pouco que eu tinha. E
contigo levaste o que me restava. Não tenho tempo para nada mas arranjo sempre tempo
para sentir a tua falta. E sinto muita, mesmo. Tu sabes, avô.