A
dor de cabeça não pára e eu contínuo em modo automático. Acordo sem vontade de
me levantar e enfrento os mesmos fantasmas que me perseguiram na noite
anterior. Engulo o choro que me ficou entalado na garganta e ponho uma cara
amigável. Saio de casa para fingir vida e convivo com pessoas que não quero.
Após horas de trabalho maquinal, regresso e deito-me. A dor de cabeça não pára
e a fome não me preenche. Só quero dormir. Mas a tristeza que acumulei ao longo
do dia regressa em avalanche e não sinto mais nada. Adormeço cada vez mais cedo
para tentar ignorar a falta que me fazes. Quando consigo fazê-lo é pela metade
e as saudades mantêm-se. O dia começa, tudo se repete. E a dor de cabeça não
pára.