quarta-feira, 10 de junho de 2015

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A dor de cabeça não pára e eu contínuo em modo automático. Acordo sem vontade de me levantar e enfrento os mesmos fantasmas que me perseguiram na noite anterior. Engulo o choro que me ficou entalado na garganta e ponho uma cara amigável. Saio de casa para fingir vida e convivo com pessoas que não quero. Após horas de trabalho maquinal, regresso e deito-me. A dor de cabeça não pára e a fome não me preenche. Só quero dormir. Mas a tristeza que acumulei ao longo do dia regressa em avalanche e não sinto mais nada. Adormeço cada vez mais cedo para tentar ignorar a falta que me fazes. Quando consigo fazê-lo é pela metade e as saudades mantêm-se. O dia começa, tudo se repete. E a dor de cabeça não pára.