Ainda
não sei por que razão me assaltas os sonhos. A forma como chegas é tão natural
que chego a pensar que nunca te foste embora. Mas sei o quanto dói regressar a
casa e recordar o teu cheiro. Cada momento é-me tão familiar que parece ter
acontecido ontem – como um déjà vu. A estranha sensação de calor e conforto que
sempre me deste regressa em pleno e por momentos acredito não precisar de mais
nada. Mas isso é uma mentira. Existe tanto que me falta.
E
a cada mentira sinto que o vício da tua dor alojou na minha alma e não há nada
a fazer. Esqueço-me dos sentidos e nem me importa o quanto a tua presença me
rasgue e me deixe em carne viva. Quase que fico feliz pela dor que me deixas.
Nunca tamanha tristeza representou tanta felicidade. E são nestas estranhas
circunstâncias que percebo que és tu quem me faz mais falta.