Não
andei à tua procura. Mas o mundo girou e tu vieste a mim. Uma e outra vez.
Há
coisas que nunca mudam, disseste-me, e desde então não o esqueci. Embora não tenha
chegado a dizer palavras bonitas – nunca foi o nosso estilo – eu comuniquei
contigo através das minhas acções. Havia coisas que eu fazia por ti que nunca
faria por outra pessoa qualquer. Nunca to escondi. Tu sabias. Eram pequenas
trivialidades do dia-a-dia. Pequenos detalhes que te mostravam a dimensão que
tinhas na minha vida.
Eu
deixei que me visses. Sentia-me confortável contigo. Não precisava de usar
qualquer máscara. Deixei-te entrar nas paredes que construí para todos os
outros. E tu sabias.
Nunca
te vi sorrir tanto como daquela primeira vez em que me vim dentro de ti. “Finalmente!”,
disseste-me antes de me dares um beijo. Nesse mesmo dia começaste a falar dos
nomes dos nossos filhos. Quase que sinto a mesma sensação de tontura agora que
me lembro disso. Cheguei a pensar que eras louca. E tu eras. A tua loucura
fez-me uma nova pessoa. Mais forte, mais seguro, mais eu. Contigo a meu lado
fui aquilo que sempre quis ser.
Agora
tudo mudou. Não o mostro e ninguém sabe mas contínuo a tentar encontrar um
remende para vazio que deixaste. Foi só quando te encontrei que percebi que tinha
andado à tua procura sem dar conta.
A
nossa sorte é que o mundo não pára de girar.