Aprendi
errado. De alguma forma assimilei que devia ser generoso. Ensinaram-me que dessa
forma o karma sorriria para mim. Quem
me mentiu? Tudo está do avesso. Pisam-me. Fazem troça de mim. Pedem mais. E eu
deixo. Mas – mesmo indo além do aceitável por quem gosto – sinto sempre que não
é suficiente. A razão pela qual o faço é uma verdade difícil de engolir. Estou
sozinho. Nunca estive tão certo de algo. E mesmo sabendo isso, eu tento
contornar esta prisão.
Mais um gesto – penso – mais uma palavra que
eleve quem está no chão e mais um sacrifício pessoal. Vai ser o último, vais
ver. Depois disto, vão-te dar valor e não te vais sentir abandonado. Vais ter
alguém. Tudo o que deste irás receber de volta. Vais ser feliz.
Não
é triste? Ter que me rebaixar para ter alguém que goste de mim e falhar? Ver
tudo o que fazes ser atirado para o lixo enquanto te relembram o quão
insuficiente és? Patético.
Que
karma é este? Ele ecoa nas paredes de
betão que me revestem mas não chega a mim. Faz-me ter inveja de quem é feliz
sem ter direito de o ser; faz-me ter inveja de quem não quero. E eu? Quando chega a minha felicidade, karma?
Será
que nem tu te lembras de mim?...