Não
tenho força que chegue, admito. Arranjo corta-matos para aliviar o que sinto e
tento remendar a cuspo cada peça que perco. Mas tudo muda quando te vejo mal.
Quando sinto a tua tristeza, eu sinto-a sem fugir. Descubro que afinal existe
uma força qualquer em mim – uma força que tu puxas sem saber – e uso-a para te
ajudar, sem corta-matos e remendes. Tento agarrar-te e roubar a tua dor. Tento
tomá-la e fazer-te esquecer. E quando foges de mim porque não consegues
suportar o que te rodeia, eu não sei como agir. Queria que entendesses que os
teus problemas são os meus e que não há nada que não fizesse por ti.
Tens-me
para o que der e vier. E não tens de fugir. Nunca de mim. Eu aceito-te pelo que
és. Eu aceito qualquer coisa mesmo que isso me magoe. Mas se preferires fugir,
vai. Vai e volta quando estiveres preparado.
Eu vou sempre esperar por ti. Eu vou sempre
encontrar-te.