Nada
está bem. Tudo me escapa. Não o conto a ninguém. Isto tem ocorrido durante toda
a minha vida. Eu fico em silêncio e escondo tudo dentro de mim até que rebente
de uma forma ou de outra. Mas sabes como consigo confirmar que nada está bem? Existe
um bloqueio sempre que tento expressar-me. Um nó na garganta que nada tem a ver
com falta de coragem ou de acção. Uma parede invisível no meu labirinto – a tua
ausência.
Tu
não estás. E eu entendo. A tua vida tem pouco espaço para mim. Tu não estás e
eu não te quero incomodar com o peso da minha dor. Mas não devia ser assim, pois
não? Então – e sem prometer recordar o erro – eu dou um passo atrás, pouco
ferido e muito magoado, e tudo volta ao princípio.
A
dor fica. As palavras são poucas. A tua ausência imensa. Pouco do que trazes eu
tento substituir. Dói. Nada está bem. Tudo me escapa – principalmente tu.