quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

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Já se passou muito tempo e as coisas mudaram. Já nem sei se me lembro de metade das coisas – ou assim finjo acreditar – mas de vez em vez gosto de te revisitar.

Vejo toda a merda que fizemos. Éramos crianças quando nos conhecemos e ainda consigo sentir o desdém que tive por ti a princípio. Engraçado como tudo mudou tão rapidamente. Aliás como tudo em ti. Cresceu rápido e morreu da mesma forma. Mas não podemos negar que deixámos a nossa marca durante esses poucos anos.

Gostava de me recordar das nossas últimas palavras. Talvez tenha sido um cumprimento jovial ou uma frase partilhada numa conversa de grupo. Sei que foram palavras ocas, disso tenho a certeza. Já éramos estranhos quando falamos pela última vez. E isso é triste.

Ensinaste-me muito. De muitas maneiras foste o exemplo que todos diziam que eu era para ti. Foste muito para mim. Ainda o és. Ninguém vai ter o teu lugar. Mesmo depois de tudo o que soube de ti. És o meu único irmão.

E é triste que apesar de tudo isto eu tenha de fingir que não te conheço quando nos cruzamos na rua. Continuas a ser uma parte de mim. Ainda faria qualquer coisa por ti. Não duvides disso. Aconteça o que acontecer, sejas tu quem fores – sempre. 
(11.14)