Desde
o princípio que te ouço dizer que tens dificuldade em confiar nas pessoas. Eu disse-te
o mesmo. Ainda hoje sou desconfiado por natureza. Mas ao longo de todo este
tempo eu dei por mim a confiar em ti na totalidade. Sem segredos. Aliás, tu
pedes-me esses segredos. Dizes querer saber de tudo e eu, cegamente,
entrego-tos. Mas não é mútuo, pois não? Dizes-me que sou das pessoas em quem
mais confias e que confias “plenamente” em mim. A minha pergunta é: Onde?
Por
mais que procure, não vejo essa confiança. Tenho sempre de interpretar as tuas
palavras e gestos para saber o que ocultas de mim. Pergunto e não recebo
respostas directas. E, é com grande dor que escrevo isto, nem sempre acredito
nas respostas que recebo. E é triste. Eu confiaria a ti o meu maior segredo,
sem pensar duas vezes. Eu confio em ti. Demais até. Porque mais uma vez sou eu
a dar muito de mim a alguém que dá de menos, muito menos. És provavelmente a
pessoa que melhor me conhece. Se me conheces assim tão bem, se sou tudo o que
dizes, como podes ser assim para mim? Alguma vez te dei motivos para isto?
Sempre
ouvi dizer que quem mais desconfia é aquele que mais mente…