Muito se passou. Ainda ontem nos
chamavam de gémeos siameses. Lembraste disso? Após uns meros dois meses já nos
chamavam assim. Parece que foi ontem, não? Mas agora que esse ontem passou a três
anos, acredito que realmente existe uma ponta de verdade nessa gracinha. Olha bem
agora para nós. Somos uma espécie de mente que habita em dois corpos separados.
As nossas parecenças são muitas apesar das abismais diferenças. Um pouco como o
Yin e o Yang. Algo que se completa sem pressionar ou forçar – algo que
acontece.
Não sei como aconteceu. Não acredito
no destino ou em coincidências. Não acho que algo esteja escrito ou determinado
a acontecer. O que eu sei é que olhando para trás não conseguiria repetir os
meus passos sem te ter ao meu lado. Mostraste-me que um verdadeiro amigo vale
mais que uma dezena de familiares. Talvez seja por isso que te veja como um
irmão. Não como um amigo a quem utilizamos o termo levemente mas no verdadeiro
sentido da palavra. És literalmente como um irmão mais novo para mim. E não sei
como isto aconteceu.
Hoje é o teu dia. Gostava de puder
partilhá-lo contigo e dar-te um abraço mas não nos é possível. Espero então que
consideres o significado destas palavras ocas e as vejas como o forte abraço
que não te posso dar. Confio que nestas também vejas espelhada toda a tua força
sobre-humana e que entendas o quão orgulho tenho em ti por sempre lutares mesmo
quando te sentes a fraquejar – essa é a verdadeira força e é essa força que
espero um dia ter.
Tudo o que um dia espero ser, está
em ti.
Obrigado por trazeres ao de cima o
melhor de mim, mesmo quando eu não o quero. Obrigado por conheceres as piores
partes de mim e mesmo assim ficares ao meu lado. E obrigado por teres
aparecido, mesmo que ainda não sabendo como, na minha vida e melhorá-la
consideravelmente.
Espero um dia conseguir retribuir
tudo o que fazes por mim.