domingo, 31 de agosto de 2014

"És meu."



                Nunca pensei que estivesses certa. Erraste tanto e tantas vezes que nunca pensei que fosse verdade. Agora fica-me sempre um sabor amargo na boca quando me perguntam por ti. A pergunta persegue-me e nunca sei o que dizer. Que resposta mal balbuciada lhes dou? Falo-lhes sobre as vezes em que não conseguia estar em casa e tu falavas comigo durante horas por telefone enquanto eu vagueava pelas ruas? Conto-lhes sobre as fotografias que me mandavas todas as noites para opinar sobre a roupa que irias usar dia seguinte? Leio-lhes as mensagens escritas que ainda guardo no meu telemóvel? Faço-lhes o sorriso que esboçava quando a muito custo admitias que eu tinha razão? Relato cada ciúme e amuo que passou por nós? Ou reenceno o quão boquiaberto me deixaste quando me pediste um filho? Não. Eu podia-lhes falar de muita coisa. Descrever o que senti no nosso primeiro beijo ou narrar a nossa última conversa mas nada disso seria suficiente.
                Nunca ninguém entenderá. Acho que nem mesmo nós.
               E confesso que depois de tudo isto nunca pensei que estivesses certa. Quem diria que depois de todos os erros tu estarias certa quando há seis anos atrás me disseste, pela primeira vez, naquela noite de verão, que eu era teu?