Nunca
pensei que estivesses certa. Erraste tanto e tantas vezes que nunca pensei que
fosse verdade. Agora fica-me sempre um sabor amargo na boca quando me perguntam
por ti. A pergunta persegue-me e nunca sei o que dizer. Que resposta mal
balbuciada lhes dou? Falo-lhes sobre as vezes em que não conseguia estar em
casa e tu falavas comigo durante horas por telefone enquanto eu vagueava pelas ruas?
Conto-lhes sobre as fotografias que me mandavas todas as noites para opinar
sobre a roupa que irias usar dia seguinte? Leio-lhes as mensagens escritas que
ainda guardo no meu telemóvel? Faço-lhes o sorriso que esboçava quando a muito
custo admitias que eu tinha razão? Relato cada ciúme e amuo que passou por nós?
Ou reenceno o quão boquiaberto me deixaste quando me pediste um filho? Não. Eu podia-lhes
falar de muita coisa. Descrever o que senti no nosso primeiro beijo ou narrar a
nossa última conversa mas nada disso seria suficiente.
Nunca
ninguém entenderá. Acho que nem mesmo nós.
E
confesso que depois de tudo isto nunca pensei que estivesses certa. Quem diria
que depois de todos os erros tu estarias certa quando há seis anos atrás me
disseste, pela primeira vez, naquela noite de verão, que eu era teu?