Não
te via há muito tempo. Observo a curva nos teus lábios e retribuo-a. Fico
quente como que com febre e não sei porquê. As minhas mãos continuam geladas e
recordo-me que costumavas gostar de as aquecer. Ainda não acredito mas não
senti o desconfortável soco na barriga que representavam as saudades que tinha
de ti. Agrada-me já não sentir qualquer ponta de ligação contigo. Continuas, no
entanto, a ter aquele “je ne sais quoi”
de quem me acordava a meio da noite prometendo-me dar a melhor noite da minha vida.
Acho que foi por isso que deixei agarrar-te a mim – tu cumprias sempre a
promessa. E eu, carne fraca, deixava-me levar.
Não
sei ao certo onde ficámos quando deixei de te responder com tanta frequência às
mensagens escritas. Precisava de espaço e tu insististe em demasia. Foi um erro
da tua parte – quando me perguntaste se algum dia irias ser mais do que umas
horas de prazer – e foi um erro da minha parte – quando não te quis mentir. As
minhas mãos continuam tão frias como a últimas vez que lhes tocaste…