A
minha pele sofre por mim num murmúrio silencioso. Vejo-a marcada até à exaustão
e não consigo evitar ficar triste por ela. Se ela falasse, iria pedir-me para
parar de repetir os mesmos erros e as mesmas pessoas. Diria que o espaço para
cicatrizes está a ficar curto. Contaria que tem frio e não sente calor de parte
alguma. Mas que sei eu? Preveniu-me que assim seria e mesmo assim não percebi
que nada de bom viria de tão doce semelhança. Agora vejo mais uma marca na
carne. A ferida ainda exposta já não sangra mas dói. E dói tanto hoje quanto
ontem.