No
outro dia, quando me disseste que gostavas que eu me abrisse contigo, notei que
me conhecias mais do que eu pensava. Mas de seguida quando ficaste ofendido por
pensar que não confiava em ti, deste um passo atrás. Não te menti. Gostava que
soubesses que não foste a primeira pessoa a desejá-lo ou a perguntar o que eu
tenho. Gostava que percebesses que quando me perguntam o que tenho e respondo
que não tenho nada, é literal. Sinto que não tenho nada. Nada nem ninguém. E é
isso o que tenho. Um nada literal que me corre no peito e me deixa assim com a
sensação desesperada de vazio.
Eu
sei o que irias dizer. Mas tu não sabes o que é tentar e falhar. Tu nunca
saberás isso e ainda bem. Espero que continues a conseguir mesmo sem tentar
porque o mereces.
No entanto eu só gostava que entendesses que
confio em ti, dentro do possível, e que não te menti. E se algum dia entenderes
que o “nada” é a resposta mais verdadeira que te posso dar, me consigas
explicar o porquê de assim o ser. Porque aparentemente, embora não me conheças
na totalidade, estás quase lá. Pode ser que tu tenhas uma outra resposta que
não a minha.